Carta aberta do Representante Especial da União Europeia para os Direitos Humanos, Eamon Gilmore, aos jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social detidos na Bielorrússia

 21 de maio é o dia dos presos políticos na Bielorrússia.

Collage of Media workers imprisoned in Belarus

Caros jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social bielorrussos,

Neste dia, recordamos Vitold Ashurak e apelamos a um inquérito sobre as circunstâncias e a causa da sua morte na prisão.

Neste dia também, a União Europeia recorda a vossa própria detenção e sofrimento. Gostaríamos de lhes assegurar que continuaremos a evocar, em todas as oportunidades, todos aqueles que se encontram detidos na Bielorrússia, por desempenharem o seu papel de jornalista ou por se pronunciarem sobre a situação política na Bielorrússia.

Ao longo dos últimos meses, temos vindo a chamar a atenção das autoridades da Bielorrússia e do resto do mundo para as terríveis condições de vida dos presos no país.

Reiteramos o nosso apelo à libertação imediata e incondicional de todos os presos políticos. O prolongamento da sua detenção é uma prova não da força do regime de Lukashenko, mas da sua fraqueza, porque é um regime que receia a verdade e não consegue lidar com a liberdade de expressão.

Estou ciente de que este é um momento difícil para todos os que estão detidos, para as suas famílias e amigos. Quero que saibam que a vossa família europeia está do vosso lado na luta pela democracia. Estou confiante de que estes esforços darão frutos.

Asseguro-lhes que prosseguiremos os nossos esforços para garantir a vossa liberdade.

Com os meus melhores cumprimentos,

Eamon Gilmore

Representante Especial da UE para os Direitos Humanos

Nomes dos jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação social detidos na Bielorrússia:

  1. Katsiaryna Andreyeva, jornalista
  2. Darya Chultsova, jornalista
  3. Ihar Losik, bloguista e consultor especializado na comunicação social
  4. Siarhei Hardziyevich, jornalista
  5. Kseniya Lutskina, jornalista
  6. Andrei Aliaksandrau, jornalista e responsável pelos média
  7. Dzianis Ivashyn, jornalista de investigação
  8. Andrzej Poczobut, jornalista
  9. Maryna Zolatava, editor e responsável pelos média
  10. Liudmila Chekina, responsável pelos média
  11. Alena Talkachova, jornalista
  12. Valeryia Kastsiuhava, bloguista, editor, cientista político
  13. Aliaksandr Ivulin, jornalista
  14. Yahor Martsinovich, jornalista, editor, responsável pelos média
  15. Andrei Skurko, editor, responsável pelos média
  16. Iryna Leushyna, jornalista, responsável pelos média
  17. Dzmitry Navazhylau, responsável pelos média
  18. Henadz Mazheika, jornalista
  19. Iryna Slaunikava, responsável pelos média  
  20. Andrei Kuznechyk, jornalista  
  21. Siarhei Satsuk, jornalista de investigação, editor
  22. Aleh Hruzdzilovich, jornalista
  23. Aksana Kolb, jornalista, responsável pelos média
  24. Yury Hantsarevich, jornalista
  25. Dzmitry Luksha, jornalista
  26. Kanstantsin Zalatykh, responsável pelos média

 

Contexto

21 de maio é o dia dos presos políticos na Bielorrússia.

Faz hoje um ano que o ativista Vitold Ashurak faleceu na prisão em circunstâncias suspeitas. A causa da morte ainda não foi determinada. O regime autocrático de Aleksandr Lukashenko tem detido milhares de pessoas por motivos políticos. Atualmente, mais de 1200 pessoas que se encontram na prisão são presos políticos. Alguns foram condenados por terem participado em protestos, outros são voluntários, coordenadores, dirigentes da sociedade civil e ativistas políticos que lutam por uma Bielorrússia livre e democrática. Atualmente, 26 profissionais da comunicação social e jornalistas estão na prisão por cumprirem o seu dever, isto é, por relatar os factos. Por causa disso, foram afastados da sociedade e rotulados como sendo «extremistas», «um perigo para a sociedade», etc. Detidos sob acusações falsas, são vítimas de tratamentos desumanos e degradantes ou mesmo de tortura.

Esta situação é ainda mais preocupante pelo facto de o regime de Lukashenko ter recentemente introduzido a pena de morte para «tentativas de terrorismo», permitindo que ocorram novos abusos graves. Muitos dos arguidos são objeto de julgamentos secretos, injustos e tendenciosos, frequentemente com base em acusações falsas e sem garantias jurídicas. Além disso, atualmente, também correm o risco de pena de morte.

Dirijo-me hoje aos jornalistas e profissionais da comunicação social detidos para lhes expressar o meu apoio e solidariedade. Estes presos políticos devem saber que não foram esquecidos. Depois de falsificar os resultados das eleições presidenciais de 2020, Lukashenko prossegue a guerra contra a sociedade bielorrussa. Somos contra o regime repressivo de Lukashenko, que não só viola os direitos humanos do seu próprio povo, mas também apoia e é cúmplice da invasão ilegal da Ucrânia por parte da Rússia.

Junte-se a mim para dar mostras de apoio e solidariedade aos mais de 1200 presos políticos. Escreva-lhes, dizendo-lhe que o sofrimento deles não será em vão. Leia mais sobre os presos políticos e saiba aqui como lhes pode escrever.