Apoiar a Ucrânia em 2026: o Caminho para uma Paz Justa e Duradoura

Artigo de opinião conjunto do Chefe de Delegação da União Europeia, do Embaixador da Ucrânia e dos Chefes de Missão dos Estados Membros da União Europeia em Moçambique, por ocasião dos quatro anos da guerra de agressão em grande escala da Rússia contra a Ucrânia.

A 24 de fevereiro de 2026 assinalamos um momento solene: quatro anos desde o início da invasão da Rússia à Ucrânia. Uma agressão a uma nação soberana e independente no centro da Europa; uma violação clara da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. 

Como representantes da União Europeia e dos seus Estados-Membros, juntamente com o Embaixador da Ucrânia, permanecemos unidos no nosso compromisso de apoiar a Ucrânia na sua busca por uma paz justa e duradoura.

As consequências desta agressão sentem-se em todo o mundo, não apenas na Ucrânia ou na Europa. Politicamente, esta guerra aprofundou clivagens entre as nações, corroeu a confiança nas instituições internacionais e desviou atenção e recursos de desafios globais urgentes, como as alterações climáticas, as desigualdades crescentes ou os desafios do desenvolvimento. Economicamente, abalou as cadeias de abastecimento de produtos alimentares e de energia a nível global, provocando inflação e escassez de bens essenciais, tendo como consequência o aumento do número de pessoas a viver em situação de pobreza extrema.

Do ponto de vista humano, o povo ucraniano tem enfrentado grande sofrimento, perda de vidas humanas, ataques devastadores nas suas cidades e destruição de infraestruturas essenciais. Ademais, e numa acção particularmente chocante e que está devidamente documentada por organizações de direitos humanos, milhares de crianças ucranianas foram deportadas à força para território russo. 

No momento em que escrevemos, a Ucrânia enfrenta um inverno rigoroso sob ataques de mísseis e de drones em Kyiv e noutras cidades, obrigando inúmeras famílias a enfrentar temperaturas negativas sem acesso a energia, aquecimento ou água. De modo premeditado, a Rússia instrumentaliza o frio como ferramenta adicional de opressão. 

No entanto, a resiliência do povo ucraniano permanece inabalável, convocando a solidariedade internacional. Desde o início, resistiu firmemente à agressão da Rússia, salvaguardando a sua soberania e constituindo uma barreira na defesa do Estado de direito. 

Como europeus, temos bem a consciência da importância do Estado de direito, a base sobre a qual construímos a União Europeia após a devastação da Segunda Guerra Mundial. Ao rejeitar a “lei do mais forte”, conseguimos construir uma Europa unida e próspera. O nosso compromisso com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas não é um apego a um status quo “ultrapassado”, mas sim um compromisso de futuro, alicerçado numa experiência que nos assegurou paz, segurança e prosperidade partilhadas. 

A União Europeia e os seus Estados-Membros têm sido os principais apoiantes da Ucrânia, proporcionando assistência política, militar, financeira e humanitária contínua. Este apoio é simultaneamente uma escolha política e uma necessidade de segurança. O futuro da Ucrânia é indissociável da segurança da Europa, e apenas uma paz sustentável pode prevenir nova instabilidade no continente. A Ucrânia e a União Europeia não podem ser excluídas de decisões relativas à sua segurança futura: qualquer acordo que exclua as suas vozes careceria de legitimidade e durabilidade. 

Enquanto a Ucrânia tem demonstrado prontidão para uma paz justa, o comportamento da Rússia – perpetuando ataques contra alvos e infraestruturas civis, aumentando a sua lista de crimes de guerra, submetendo idosos, mulheres e crianças ao frio – é próprio de uma nação que prossegue uma guerra de desgaste contra uma população inocente. Recompensar a agressão seria um rude golpe contra a segurança global, legitimaria o uso da força para a alteração de fronteiras e desestabilizaria a ordem internacional. 

Mesmo com grande parte da sua capacidade agrícola destruída e com ataques persistentes a portos e outras infraestruturas, a Ucrânia continua a contribuir para a segurança alimentar global, mantendo o fornecimento de alimentos a vários Estados. Em 2024–2025, Moçambique recebeu 16,5 milhões de dólares em assistência humanitária através da iniciativa “Grain from Ukraine”, financiada por vários parceiros europeus e distribuída pelo Programa Alimentar Mundial às populações mais vulneráveis do norte do país. 

Num contexto internacional marcado pela instabilidade, o continente Africano e Moçambique encontram-se também expostos às ondas de choque deste conflito dados os impactos decorrentes da volatilidade dos mercados internacionais e da disrupção e aumento dos preços dos cereais, da energia e dos fertilizantes, com reflexo na subida da inflação e redução do poder de compra das famílias. 

A Ucrânia bate-se pelo direito a existir como estado independente, pelo respeito pela sua própria identidade e cultura e pela liberdade de decidir o seu futuro: anseios que encontram eco no percurso histórico de Moçambique. 

A comunidade internacional deve agir de forma decisiva para aumentar a pressão sobre o agressor, assegurar a responsabilização pelos crimes cometidos e, sobretudo, para alcançar uma paz abrangente, justa e duradoura.

Após quatro anos de guerra, o futuro é ainda incerto. A Europa estará sempre ao lado da Ucrânia e do seu povo, enquanto continuam a lutar pelos seus filhos, pelo seu país e por uma ordem internacional baseada em regras. 2026 deve ser o ano em que esta guerra de agressão ilegal chega ao fim!

Artigo assinado por:
Embaixador da Ucrânia (Rostyslav Tronenko), Chefe da Delegação da União Europeia (Antonino Maggiore) e Embaixadores e Chefes de Missão dos Países Baixos (Elsbeth Akkerman), da Irlanda (Patrick Empey), da França (Yann Pradeau), da Alemanha (Ronald Münch), de Espanha (Teresa Orjales), da Finlândia (Satu Lassila), da Itália (Gabriele Annis), de Portugal (Jorge Monteiro), da Suécia (Andrés Jato) e da Bélgica (Delphine Perremans).