Segurança alimentar: Moçambique recebe fundos da União Europeia para debelar a crise alimentar
A Comissão Europeia alocou 600 milhões de euros do Fundo Europeu de Desenvolvimento para financiar a ajuda alimentar humanitária imediata, produção de alimentos e resiliência dos sistemas alimentares nos países mais vulneráveis da África, das Caraíbas e do Pacífico (ACP).
Este apoio irá ajudar os países parceiros e as pessoas vulneráveis a enfrentar as consequências injustas da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, concretamente a actual crise alimentar e o choque económico causado.
Moçambique é um dos países contemplados na região da África Austral, recebendo uma dotação de emergência de 8 milhões de euros para mitigar a crescente insegurança alimentar, em meio a condições climáticas e macroeconómicas incertas.
"A resposta rápida e abrangente da União Europeia à actual insegurança alimentar em vários países parceiros vulneráveis da região de África, Caraíbas e Pacífico demonstra a nossa forte solidariedade para com os nossos parceiros, em particular em África", disse a Comissária para as Parcerias Internacionais Jutta Urpilainen, acrescentando que estes fundos "vão ajudar a suportar as consequências sentidas a nível mundial da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. A curto prazo estamos a ajudar as famílias com assistência alimentar e nutricional e a ajudar os países a comprar os alimentos de que necessitam. Como parte da estratégia Global Gateway, trabalhamos também em soluções para enfrentar os riscos correntes e futuros, investindo em sistemas alimentares locais sustentáveis para aumentar a resiliência".
O Comissário para a Gestão de Crises Janez Lenarčič acrescentou que "a insegurança alimentar global é a nossa maior preocupação. Os dados mostram que mais dezenas de milhões de pessoas enfrentam a escassez de alimentos em comparação com uma situação já difícil no ano passado. A invasão russa da Ucrânia exacerbou a situação dos mais vulneráveis do mundo, que já enfrentam as consequências dos conflitos armados, os efeitos das mudanças climáticas e da pandemia da COVID-19. Os fundos recentemente atribuídos ajudarão aqueles que se encontram em situações terríveis a satisfazer as suas necessidades alimentares de emergência. A União Europeia continua empenhada em apoiar os mais vulneráveis. Contudo, a ajuda humanitária não pode substituir os esforços necessários para aumentar a resiliência das populações mais vulneráveis. Soluções sustentáveis orientadas para o desenvolvimento para acabar com a fome são fundamentais".
Como parte da Resposta da Equipa Europa à Insegurança Alimentar Global, o financiamento irá focar-se onde as necessidades humanitárias são mais elevadas e onde foram identificados programas para aumentar de forma sustentável a segurança alimentar e a resiliência. Para a região da África Austral, o financiamento será o seguinte: 10 milhões de euros para Madagáscar, 15 milhões de euros para o Malawi, 15 milhões de euros para Moçambique e 20 milhões de euros para a Zâmbia. Para ajuda alimentar de emergência, são 4 milhões de euros para Madagáscar, 8 milhões de euros para Moçambique, 4 milhões de euros para o Zimbabwe, e 500 mil euros para toda a região.
Dados do Relatório Global sobre Crises Alimentares estima que cerca de 205,1 milhões de pessoas enfrentam actualmente níveis elevados de insegurança alimentar aguda em 45 países abrangidos pelo Relatório de 2022. A resposta da Equipa Europa (União Europeia e Estados Membros) à Insegurança Alimentar Global inclui quatro linhas de acção: (i) Solidariedade: ajuda de emergência e acessibilidade económica; (ii) produção e resiliência sustentáveis; (iii) comércio: facilitar o comércio alimentar; (iv) multilateralismo efectivo.
Com os 600 milhões de euros adicionais, a União Europeia prevê alocar para programas de segurança alimentar e sistemas alimentares nos países parceiros 7,7 mil milhões de euros até 2024, em todo o mundo. Isto inclui também uma estimativa de 2,2 mil milhões de euros em ajuda alimentar e nutricional humanitária imediata para os países mais vulneráveis e mais 5 mil milhões de euros para investir a médio e longo prazo em sistemas alimentares sustentáveis.
Fonte: EU ECHO